Sangue derramado

Posted: Dezembro 26, 2009 in Uncategorized

Vaguei  pela casa, era meia noite. Sentei num pequeno banco ao lado da janela e observei a lua.  Tive sede e fui até a geladeira,   me assegurei que ninguem me observava. Fui. Peguei uma taça , coloquei vinho, o apreciei como se fosse o ultimo vinho que  beberia na minha vida. Ela tinha ido embora, mas havia  um pouco dela em cada canto da casa, nos moveis, no perfume espalhado,  nos pratos sujos,  no lençol.  Ah no lençol. Aquele que nos aquecia nos momentos frios, e que escondia os nossos mal feitos durante a madrugada. Era madrugada e eu sem ela. Sentia uma falta mortal, uma falta hipnotizadora, aterrorizante. Ela que sempre estava comigo, se foi. E eu nada pude fazer. Andei por toda a casa relembrando os momentos que passamos juntos, os banhos, as alegrias, as brigas… Andei por tudo, e o vinho se acabando. Me aproximei novamente da janela, brindei com a lua o ultimo gole do vinho, bebi. E ali, derramei meu sangue para que outros pudessem  provar a minha dor de ter perdido a mulher que tanto amava.

( Van  Sirilank)